segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

POESIA


Para começar bem mais um produtivo dia de postagens , segue um poema do brilhante Augusto dos Anjos, paraibano assim como eu que, em 30 anos de curta existência( 1884-1914) produziu uma ampla obra de poesia, em seu livro Eu,e na posterior edição ampliada, Eu e outras poesias.


Versos Íntimos
Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidávelEnterro de tua última quimera.Somente a Ingratidão - esta pantera -Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!O Homem, que, nesta terra miserável,Mora, entre feras, sente inevitávelNecessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!O beijo, amigo, é a véspera do escarro,A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,Apedreja essa mão vil que te afaga,Escarra nessa boca que te beija!

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